quarta-feira, 3 de outubro de 2007

o retorno ao Brasil



Pus o Caminho de Santiago no meio da minha volta ao Brasil.. após mais de 6 anos e meio vivendo na Europa, ou melhor, na Península Ibérica pois foi somente em Portugal e Espanha.. e trabalhando bastante pelo mundo, momento em que tive a oportunidade de conhecer mais de 20 países.. já não me sentia Cidadão do Mundo, como seria definido pelo jargão comum.. mas, sim, sentia-me um “Cidadão do Momento”..

E também sentia que chegara o “momento” de voltar à casa, à família, aos velhos e novos amigos que encontraria em minha terra natal – Sergipe..


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terça-feira, 2 de outubro de 2007

o retorno a Madri

Mais uma vez, a amiga Emília veio dar-me um grande suporte logístico.. trouxe minhas malas (maletas, em castellano) e levou-me à Universidad Politécnica de Madrid onde eu tinha combinado de encontrar com outros peregrinos e amigos.. mas uma vez, outra comprovação da Big Family formada pelo Caminho..



Em direção à Politécnica, passamos numa estação de metro para pegar o João Lima (que tinha vindo de Portugal).. ele estava sem saber qual o Campus da Politécnica que deveria ir, pois quase ninguém na cidade sabia lhe dar informações concretas.. enquanto isso, recebia telefonemas e mensagens de outros peregrinos de Madri que eu tinha enviado SMS indicando o horário e avisando que estaria por Madri algumas horas.. o SMS dizia:

 “Amigos, mañana llegaré a Barajas en el vuelo IB545 a las 7h35, Term 4. Invito al café del Dep Teleco, Campus Sur, U. Politecnica, a las 11h y quedo hasta 13h. Bso, R”..

No entanto, aqueles que confirmaram a presença foram parar do outro lado da cidade, pois não leram o “Campus Sur” no texto acima.. o que gerou vários telefonemas do tipo:

_ Eu? Eu tou no café da Teleco e você?
_ Eu também.. não te vejo.. vou para a porta, certo?
_ OK, mas eu já estou na porta..
_ Impossível, eu tou aqui e não te vejo..

Afinal, estávamos eu e o Pupilo, cada um numa porta diferente, andando que nem tontos de um lado para outro do café..  em nos encontrar.. pois cada um estava num café diferente! Um desencontro total compensado depois no aeroporto..

Ali no café ainda conversei bastante com o João, sobre o Caminho e sua próxima visita ao Brasil.. e também tive até uma reunião com o José-Fernán e alguns professores sobre intercâmbio de alunos e redes de sensores sem fio..

A Emília levou-me (novamente) ao aeroporto com o João e nos despedimos mais uma vez.. emocionados, como sempre..

O João ficou comigo e buscamos um lugar pra almoçar, quando, do nada, as duas peregrinas mais “majas” do Caminho ligaram dizendo que estavam me procurando no Terminal 2.. adorei a surpresa e fiquei super-bobo.. elas vieram ao restaurante que estávamos e iluminaram minha despedida com a boa energia do Caminho.. aquela energia que somente pode compreender quem o fez, o viveu, ou tentou fazê-lo..

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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O retorno a Santiago

Terminado o desafio de chegar a Finisterre, passei novamente por Santiago para tomar um voo a Madri, e de lá, outro a Aracaju (Sergipe), Brasil.. cheguei a pensar em ficar mais tempo em Finisterre, como fizeram o Pupilo e a Mascote que não queriam passar por Santiago na volta – para não surgirem sentimentos nostálgicos, sem o grupo de antes, etc.. mas logo voltei atrás e pensei nos novos encontro e, ainda, que também poderia rever mais alguém que deixei pelo Caminho.. Também o Damien voltava neste dia e fomos no mesmo ônibus, às 8h20 da manhã.. havia tanto peregrino voltando que parecia que não iríamos caber todos..

A sensação de voltar de automóvel foi engraçada.. até comentamos uns com os outros dentro do ônibus.. para mim, já tinha quase 20 dias que não usava outro meio de transporte além dos pés J.. e cada um relatava quando e como foi sua última vez em um automóvel.. parecíamos que estávamos fazendo uma coisa pela primeira vez.. na realidade, para mim, isso demonstrou outra sensação boa do Caminho: não ter vergonha de expressar as ideias, por mais lúdicas e infantis que parecessem.. esta era exatamente a sensação de estar fazendo parte de uma grande família, aquela que formamos pelo Caminho.. 



Um outro exemplo disso é que realmente havia muitos peregrinos a mais do que a quantidade de vagas no ônibus, mas grande parte deles tinha levantado cedo e vindo até ao ponto de ônibus, enfrentando uma chuva fraca e persistente, apenas para despedir-se dos recém-amigos-irmãos-peregrinos.. também falamos disso no ônibus e lembrei das meninas que me receberam na praia, aplaudindo sem nunca me ter visto, lembrei das confissões que escutei e fiz pelo Caminho, da bondade e generosidade que havia estampada na cara de muitos peregrinos (e também da indiferença, isolamento e distância de outros – que também deveríamos respeitar e tentar compreender).. enfim, não era um Big Brother (felizmente! E apesar das fofocas do Caminho), mas na verdade nos sentíamos mesmo como parte de uma Big Family!

Assim que chegamos em Santiago, fui mostrar ao Damien onde buscar a Compostela.. procuramos onde ele poderia ficar com a Tanja (que depois descobriria que seu nome em latim era Tatianam), da Alemanha.. aliás, em relação a isso, eles passaram uma cena do além (como diria meu amigo João): quando estavam para alugar um quarto por uma noite, chegaram dois outros alemães interessados em alugar por 3 noites e a senhoria prontamente alugou aos outros.. no fim das contas, tudo acabou ainda melhor para eles (e também para mim), pois encontraram lugar no mesmo hostal da Calle Franco, ao lado da Catedral.. para mim também foi legal pois me convidaram para descansar com eles até a hora de pegar um táxi para aeroporto, às 4h30 da manhã..

À noite, fomos “de tapas” (explicando, em bom português, apenas saímos para comer “tapas” pelas ruas de Santiago).. afinal, aquela noite era a “minha” despedida! 


Também era a última noite antes do início das aulas na U. de Santiago e as ruas estavam cheias de universitários da cidade..



Fomos mais uma vez ao Avante – bar apologista da Galícia Livre e de qualquer outro movimento de esquerda do mundo.. tinha panfletos colado nas paredes de quase todos movimentos revolucionários que conheço, desde a “Palestina Livre” ao “Movimento dos Trabalhadores Agrícolas Sem Terra do Brasil”.. isso mesmo! 


Tinha tanto panfleto e símbolo de movimento que se verificavam paradoxos como a foto de Fidel Castro (abraçado a um italiano amigo do dono do bar) ao lado de um outro cartaz que dizia LIBERDADE em letras grandes..



Após vários gins com tónica, cubas-livres, e martinis, fomos eu, o Damien e a Tatianam fazer uma “siesta” entre as 2h30 e as 4h30 da manhã.. despedi-me emocionado da Tatianam, pois em tão pouco tempo, poucas horas aliás, sem nunca nos termos visto antes pelo Caminho, parecíamos amigos de longa data simplesmente por juntarmos os sentimentos de chegada (dela) e de saída (meus).. 

O Damien acompanhou-me até ao ponto de táxi e parecíamos irmãos se despedindo ;)

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