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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

nas levadas da Ilha da Madeira..



Este certamente foi o preparativo mais encantador que fiz para o Caminho.. primeiro porque fui encontrar uma pessoa muito especial acima das nuvens ;), depois pela beleza natural da ilha, das suas trilhas e seus picos de formação vulcânicas.









As levadas são trilhas feitas pelos antigos aborígenes do Arquipélago da Madeira com o intuito de trazer as águas das fontes minerais que se encontravam no cimo das montanhas até as povoações dos vales e encostas da ilha.










Nadine e eu fizemos várias levadas e trilhas pelo interior da ilha, pertencentes a 3 rotas (ou caminhos) dos vários que tíhamos a eleger. Assim, escolhemos fazer o Caminho das 25 Fontes, o Caminho do Caldeirão Verde e o Caminho do Pico Ruivo (que depois a Nady batizou de Caminho do Inferno.. vocês saberão por que..)








O objetivo final do Caminho das 25 Fontes era chegar a uma abertura na mata que concentrava uma sequencia de pequenas quedas d'água oriundas das nascentes daquela montanha..



Foi uma pequena frustração atingir o objetivo mas uma agradável surpresa passar pelo Risco, uma enorme queda d'água que fica próxima do início do caminho.



Caminhamos pelas crostas vulcânicas que formam o caminho entre os Picos do Arieiro e o Pico Ruivo. Uma beleza estonteante e até mesmo vertiginosa para quem sofre deste mal. Acordamos tarde e começamos o trilho somente por volta das 13h. Isso fez com que no meio do caminho desistíssemos de chegar à meta - que era o Pico Ruivo. Mas também houve outro fator que influenciou nossa decisão ponderada de voltar sem atingir o maior pico da Madeira. Estávamos super exaustos. Nos guias da Madeira, este caminho é indicado para "peritos" e descobrimos arduamente que ainda não os somos. Haviam degraus super inclinados e passagens vertiginosas que nos faziam subir, descer, tomar atenção com o equilíbrio, etc. Em suma, um conjunto de fatores que fez a Nady batizá-lo de Pico do Inferno - por aí vocês imaginem.











No caminho do Caldeirão Verde tivemos a oportunidade de experimentar passagens túneis e uma parte do caminho na chuva. Com isso, pude testar a eficiencia das lanternas e capas de proteção impermeáveis.

Tirando o fato de parecer o Corcunda de Notredame, serviram como uma luva (impermeável!) aos protótipos de peregrinos que éramos.

A beleza das trilhas e o ar noir da volta também fez o caminho parecer outro, com nuvens por todo o lado, o tempo fechado e muito mais frio.






O mais incrível foi concluir este terceiro dia de levadas e Caminhos com uma estória insólita que só poderia mesmo ocorrer na Madeira. Devido ao seu microclima, no final do dia, pelas 17h, decidimos ir até ao outro lado da ilha para "aventurar" um fim de tarde na praia. Dito e feito. Saimos de quase 18ºC nos 1800m de altitude com chuva e tempo fechado para curtir uns 27ºC na Praia de Calheta. Que diga-se de passagem, com areia fina importada de Marrocos ;)

Um espetáculo!

R

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Olhos D'Água - Ilha de Faro


viva!

segunda, dia 25 de Junho, ocorreu o primeiro grande teste: saí de casa - na praia de Olhos D'Água - até a Ilha (que na verdade é um istmo) de Faro.. com o roteiro inspirado por João Lima que desde suas férias de infância em Olhos D'Água tinha o desejo de fazer este percurso a pé..

na verdade, o primeiro teste ocorreu duas semanas antes.. foram os 6,8 Km de contra-relógio em uma prova de orientação (ou paddy paper) próximo de Sines - no alto Alentejo (Portugal).. nesta prova, minha equipe conseguiu a proeza de chegar em penúltimo lugar! explique-se que foi devido a uma penalização de 53' por não termos "zerado" o contador no início da prova..

neste primeiro grande percurso, foram aproximadamente 18,5 Km pelas areias das praias.. planejamos caminhar entre 4 e 5 Km/h, o que nos daria entre 4 e 5 horas.. iríamos partir pelas 16h, então chegaríamos pelas 20h ou 21h.. vimos a tábua das marés e a preia-mar estava indicada para as 22h.. ou seja, tínhamos 1h ou 2h de margem de segurança para continuar caminhando na areia dura da praia.. acontece que só partimos pelas 17h, paramos em vários pontos atrativos para fotografias, fizemos algumas paradas técnicas (água, banheiro, ajuste mochila, meias, etc.) e só atingimos nosso objectivo pelas 23h.. conclusão, o tempo baixou para uma média de 3 Km/h..

este primeiro périplo foi também a estréia das botas de longa caminhada, do GPS de bolso e do ato de fazer um Caminho com a mochila carregada.. quanto à mochila, percebi o porquê de todos os guias do Caminho fixarem o peso máximo em 10% do peso do corpo.. lá pelo 12º Km já tinha vontade de jogar a mochila ao mar e seguir a viagem mais leve.. confesso que até comecei a questionar se estava fazendo alguma promessa ou algo do gênero.. nunca fui de fazer ou pagar promessas e aquele peso me fez questionar o por quê de fazer o Caminho.. vi uma entrevista do peregrino Antoin Khalil que respondia esta questão com outra pergunta: "você sabe por que se apaixonou por esta ou aquela pessoa? (...)" pois é, eu também gostaria de descobrir.. e algo me diz que somente saberei alguma coisa lá pelaterceira semana de caminhada..

quanto ao GPS de bolso, guiou-nos bem quando tivemos de fazer o único trajeto fora das praias, cruzando a Marina de Vilamoura.. além dos mapas de ruas, coordenadas geográficas e localização por GPS, mostrava também a nossa velocidade ou "kilometragem" que ia mesmo entre os 4 e 5 Km/h.. na verdade, o GPS de bolso também é computador (PDA), celular (ou telemóvel, em Portugal), máquina fotográfica, de vídeo, calculadora, gravador de voz, leitor de MP3, rádio FM, Internet sem fios, e os vários aplicativos e serviços que podemos usufruir em um dispositivo digital ubíquo.. inclusive, este é o dispositivo de convergência digital que inspirou o nome deste blog - em-Peregrino (electronicmobile - Peregrino).. não vou citar o nome e marca do "bicho" pois não tenho nenhum patrocínio da marca..

quanto às botas, descobri que são, obviamente, apenas impermeáveis do solado para cima.. pois ao meio do percurso, levei com uma onda de cima para baixo e molhei as meias - o que tornou o final do Caminho um purgatório.. com as botas fazendo "clush", "clush".. a aproximação da preia-mar trazendo as ondas para a areia dura e forçando-nos a caminhar pela areia macia e mais cansativa.. este purgatório foi digno até da aparição de dois pequenos yorkshires, com as patinhas levantadas à beira-mar, enquanto eu apontava a lanterna para eles (sim.. já era noite, lá pelas 22h30'!).. o mais curioso ocorreu quando aproximamos dos pequenos caninos: eram simplesmente dois arbustos nas dunas com as flores refletindo como se fossem olhos ;) a parir desta experiéncia serei muito mais cético com a magia do caminho, principalmente quando estiver cansado, com sede, e com as luzes da meta final me informando aquela falsa sensação de que o objetivo está mais próximo do que parece!

outras provas de esforço me aguardam..

até a próxima!

R