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sábado, 22 de setembro de 2007

Barbadelo - Hospital da Cruz


Como tínhamos mais de 30 km pela frente, saímos todos muito cedo e seguimos sem tomar cafe durante os primeiros 7.3 km (...), movidos somente por barras energéticas  frutas e água . desde ali, seguimos cada um a seu ritmo.. pela frente, seguiu o Charlie comigo..

O Caminho era novamente cheio de bosques e muito bonito ..









Chegamos antes das 16h e fomos logo almoçar.. o albergue era novo e bem moderno.. tinha até fogão por indução térmica, mas por ironia não tinha nem panela, nem pratos pra usarmos.. e a hospitaleira não era nada simpática nem amistosa..

À noite, fizemos uma surpresa à Bea, colocando palitos de dentes numa torta de Santiago e cantando seus parabéns antecipados..

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O Cebreiro - Samos


Acordei cedo, me despedi do grupo de espanhóis e segui o Caminho sozinho.. estava muito frio e acelerei o passo para me aquecer mais depressa.. pus os fones de ouvido e segui pelo lado da esstrada nacional até um bosque que levava ao Alto do Poio (alto do frango, em galego) com 1334m de altura..





Após subir uma dura encosta, cheia de pedras e peregrinos cansados, cheguei a um bar no final da subida que estava cheio de peregrinos.. ali parei para tomar o cafe da manha e logo chegou o Charlie que tambem parou para esperar o grupo.. decidi esperar tambem e depois que todos comeram, seguimos juntos..





No bar passou tambem o Paulo e encontrei o Damien com um casal de franceses.. este praticamente convenceu a mim e ao Pedro a fazermos um desvio de quase 5km para dormirmos num monasterio beneditino (fundado pelo proprioSao Bento) no seculo VI.. em seguida, convencemos tambem ao Charlie e às meninas tambem..



O desvio foi tambem compensado pelas belissimas paisagens de bosques e vales cultivados por peras, uvas, aboboras e hortifrutos..



















Quando estavamos em Triacastela, juntou-se ao grupo o Manolo, um "chico raro" de Valencia que jah tinha encontrado o grupo antes..


Como fizemos 31km, e demoramos nas paradas, chegamos pelas 18h no albergue do monasterio.. ali, estava o Damien me esperando e veio logo dizer o horario da ultima visita guiada (às 18h30).. tomei um banho rapido e segui para o claustro do monasterio, onde iniciamos a visita..

À noite o jantar foi muito bom, como tem ocorrido em todos restaurantes galegos até agora..

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Boadilla del Camino - Carrión de los Condes

Nesta etapa comecei a verificar que as 3 fases do Caminho (sofrimento físico até Burgos, autoconhecimento de Burgos ate Leon e espiritualismo de Leon ate Santiago) não são tão certas assim.. nesta etapa sofri um bocado as dores das minhas duas novas bolhas - uma em cada calcanhar..


Logo na porta do albergue está localizado um dos mais famosos Rollos Jurisdiccionales que, à semelhança dos pelourinhos nos quais amarravam os escravos no Brasil, aqui acorrentavam os ladrões e assassinos para serem punidos em praça pública..

Quando saí do albergue já eram mais 8h da manhã, um pouco tarde para o ritmo de um peregrino.. mas não tive outra alternativa pois precisava fazer umas "almofadas" para as bolhas com o algodão de maquiagem da Loli.. enquanto o tempo e o meu corpo ainda estavam frios, foi bastante difícil.. mas logo tive a ideia de colocar música no MP3, pois "quem canta seus males espanta".. e a maior coincidência (ou sinal do Caminho) foi ver que a primeira musica da biblioteca era a do J Quest, na qual o refrão dizia "ei dor, eu não te escuto mais! você  não me leva a nada.." e não eh que deu certo ;) comecei a cantar esta e outras.. relembrar também de outras pessoas queridas e pronto: esqueci que tinha bolhas nos pés..




Talvez o frio no inicio da manhã tenha sido mais forte porque andamos os primeiros quilômetros ao lado de um rio.. eu estava sozinho e a beleza da paisagem me fez logo esquecer a temperatura..










Nesta etapa encontrei algumas igrejas feitas com tijolos de barro, o que era novidade até esta parte do Caminho..










O curioso foi descobrir uma imagem de Nossa Sra da Conceição numa das destas igrejas.. de imediato pensei em minha irmã Rose que nasceu no dia 8 de Dezembro, seu dia santo.. desde ali, enviei bons fluidos pra ela..

Logo em seguida, em Villalcazar de Sirga, encontramos a igreja de Santa Maria de la Blanca.. uma igreja-fortaleza templária onde se encontram os túmulos de dois reis espanhóis e de um dos fundadores da Ordem dos Templários..












Em Villalcazar tambem reencontrei o Eloi e a Loli.. tomamos uma cerveja e retomei o Caminho com eles.. no entanto, como eu estava com as bolhas, achei melhor andar mais devagar e deixá-los a seu ritmo.. quando via os dois se distanciarem de mim surgiu uma placa que me encheu de ânimo: mais 2 etapas e eu chegaria na metade do Caminho, ultrapassando a marca simbólica de haver caminhado 400 km a pé . procurei o MP3 e comecei a cantar sozinho de novo.. passaram uns ciclistas por mim, com um olhar raro e depois comentaram sobre mim ao Eloi e à Loli: "hay cada loco en el Camino.." :) eles não viram que eu tava com fones de ouvido nem eu me apercebi que, com o vento, quem estava a uns 50 m à minha frente poderia escutar eu cantando partes das musicas - todo desafinado como eu mesmo.. rimos muito quando me contaram esta..

Pelas 15h cheguei em Carrión de los Condes.. busquei o albergue das freiras (monjas) e lá encontrei as "meninas" de Viñarós novamente..

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sábado, 1 de setembro de 2007

Burgos - Hontanas

Depois de um dia parado em Burgos, paradoxalmente, meu corpo parecia estar mais cansado do nos outros dias de caminhada.. apesar de estar num Hotel de verdade, com lençóis (e nao o saco de dormir) não acordei tao descansado assim..




Acordei cedo e parti pelas 7h31, com as luzes da cidade ainda acesas..







Ao contrário da entrada leste, a saída oeste de Burgos era bastante bonita com monumentos e detalhes nas calçadas que sempre lembravam aos peregrinos que estávamos no Caminho certo..













Em Tarrdajos, Rabé de las Calzadas e Hornillos del Camino notava-se a acentuada herança romana nas construções das casas, capelas e igrejas..











Fiz esta etapa do Caminho sozinho.. com bastante sol e algumas paisagens bucólicas.. encontrei com pastores a pé, cachorros e até com mulas..











O livro-guia em espanhol que levei (e tambem os mapas em ingles que Cristina e Ze Luis me presentearam) diziam para fazer a etapa até Castrojeriz (38km).. mas por prudencia, e cansaso mesmo, fiquei em Hontanas depois de caminar cerca de 30km.. após alguns poucos sinais na imensidão daquela paisagem, cheguei ao povoado de "cowboys"..



Até encontrei um peregrino que fazia o Caminho a cavalo.. ele tinha parado pra fumar um charuto no bar do albergue e também para descansar seu Alazão.. perguntou-me se eu era australiano, pois ouviu eu questionando se ali tinha se hospedado o Lindsay.. após alguma conversa, disse-me também que anda cerca de 50km por dia e é muito mais difícil encontrar lugar para o cavalo descansar do que para ele proprio.. o que vem a ser ironico quando pensamos no auge do Caminho, durante a Idade Media pelos séculos XII e XV..



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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Belorado - San Juan de Ortega - Agés

Comecei a caminhar bem cedo, pelas 6h.. logo na saída de Belorado, com a escuridão e somente com a luz da lanterna, tive dúvida numa encruzilhada e não peguei a estrada que tinha uma placa indicando rua sem fim.. depois de uns 100m, desconfiei se estava na rota certa mas como vinha um peregrino atrás de mim, mantive a direção.. passados uns 300m e sem enxergar mais nenhum sinal, nem mesmo indicando que estava na direção errada, resolvi abrandar o passo e falar com o peregrino que me seguia.. na verdade, era uma peregrina, italiana, que já tinha encontrado antes em Nájera - a Valeria.. para minha surpresa, ela vinha sem lanterna e confiando em meus passos ;) rimos um bocado e voltamos à esquina da rua sem fim.. afinal, aquele era o caminho certo..



Não sei se era porque estava na companhia duma italiana, ou mesmo pela paisagem bucólica, o certo é que me lembrou bastante a regiao de Toscana, na Italia, onde passei umas ferias inesqueciveis com a Patrícia Antuña (Pato, a ciumenta! ;), a Tónia, a Francesca e o Ale..








Em um povoado chamado Tosantos, passei por uma rua chamada Santa Cecília e lembrei logo da prima Ana Cecília e tirei esta foto.. a seta e o sinal da concha (vieira) indicam que o Caminho passa por ali..





No início da subida para Villafranca Montes de Oca, já notamos a vegetação mais densa e a Valeria me chamou a atenção de umas flores de cor lilás que na Itália chamam Érica.. lembrei logo da Érica Damásio (minha primeira namorada) e da Erika Broedersen (la Abuela).. esta foto sao pra voces :)



Passamos também por outros tipos de vegetação e plantas que me lembraram a floresta lauri-silva da Ilha da Madeira..














Quando já baixávamos os Montes de Oca, cruzamos por vários ciclistas e também por umas aberturas na mata a qual supomos que seria para o fluxo de brigadas anti-incêndio..











Encontramos outros peregrinos conhecidos quando passamos por San Juan de Ortega.. entre eles, a Mercè e o José Lázaro (ou o The Flash, também conhecido como o Correio do Caminho, pois como saía mais tarde que todos e chegava sempre entre os primeiros, passava pela maioria dos peregrinos que faziam a mesma etapa e ia dando "notícias" de quem conhecíamos.. )


Finalmente chegamos a Agés.. como podem ver, um belo povoado que parece até tirado de filme do velho oeste americano.. desta vez adiantei alguns kilômetros aos que os guias punham ..

Por curiosidade, nesta aldeia vivem somente 51 pessoas e parecem que todas estavam no bar do albergue naquela noite ;)

Por sua vez, como também éramos poucos no albergue, a Mercès foi chamar um a um para jantarmos juntos naquela noite.. e o menu do peregrino em boa companhia sabe sempre melhor..

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